No primeiro semestre do ano, o volume de cartões de crédito bateu recorde e chegou a 100 milhões em circulação. O movimento chegou a R$ 176 bilhões e o ano deve terminar com um acréscimo de 24%.

No maior comércio popular do País, a Rua 25 de Março, centro de São Paulo, um cartão personalizado começa a engrossar as vendas da região. Ali, comerciantes da União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências (Univinco) lançaram um produto com taxas diferenciadas.”Oferecemos um cartão que pode ser adaptado ao negócio de comerciantes com faturamentos menores, que normalmente não interessam às grandes bandeiras”, disse Kleber Oliveira, gerente de marketing da Validata, administradora do cartão.

Lançado em setembro do ano passado, o Cartão 25 de Março já contabiliza 200 mil usuários e é oferecido por 300 lojistas. Conforme estimativa da administradora, existe potencial para pelo menos 1 milhão de cartões, 25% deles para pessoas jurídicas. Segundo o diretor executivo da Validata, Márcio Salomão, vantagens não faltam. “O cartão não cobra anuidade. Sua taxa de crédito rotativo é menor (6%) que a do mercado. Além disso, não exige comprovante de renda do cliente”, enumera.

Do outro lado do balcão, os comerciantes também registram benefícios. Daniel Ouakil, dono da Katmandu, loja de artigos asiáticos, conta que o aluguel da máquina POS (Point of Sale) para uso do cartão começou a ser cobrado somente seis meses após a introdução do equipamento no estabelecimento. “Agora o aluguel mensal é de R$ 15, bem inferior ao das outras bandeiras tradicionais, cerca de R$ 80.” A VisaNet informou que a locação varia de R$ 39 a R$ 135, dependendo da tecnologia utilizada. A taxa de administração é outro chamariz. “Pagamos 2,5%, enquanto as demais chegam a cobrar mais que o dobro”, diz Ouakil.

Outra loja que aderiu ao cartão foi o Rei do Armarinho. “Recebemos clientes que convivem com uma falta grande de capital de giro e nem sempre têm acesso aos cartões”, diz Pierre Sarruf, diretor do estabelecimento. “Ao ter crédito, eles passam a comprar um volume maior “, conta. Sem revelar o faturamento, o diretor do Rei do Armarinho afirma que o cartão aumentou os gastos dos clientes. “Quem gastava R$ 1 mil em uma compra passou para R$ 1.350”, calcula.

Há dois anos, empresários de uma cidade no sul de Minas Gerais também descobriram uma forma de alavancar os negócios locais com economia. Por meio da Cooperativa de Crédito de Monte Sião (Credmalhas), eles criaram um cartão exclusivo da região, administrado pela Harmonia Cards, nascida também da comunidade local e conveniada à Credmalhas.

O produto é restrito às compras dos cooperados e dos funcionários das malharias filiadas. Mas um pedido ao Banco Central para transformar o grupo em uma cooperativa de livre admissão poderá abrir oportunidades para outros segmentos. Para Marcos de Andrade, gerente da Cremalhas, o desempenho do produto, com 3 mil cartões emitidos, ocorreu graças a alguns diferenciais: seu custo chega a ser 70% menor que o cobrado pelas bandeiras dominantes. Não há anuidade. A taxa administrativa (3%) é menor que a dos concorrenteso e a dívida pode ser refinanciada. Caso o usuário não possa pagar a fatura, a Cooperativa faz empréstimos com juros de, no máximo, 2,5% a 3% ao mês. O empresário paga por mês R$ 35 pela máquina. Em 2007, o cartão movimentou R$ 4,5 milhões.

Usado nas lojas conveniadas, o Credmalhas Shop também chegam a outros comerciantes, mesmo não-filiados, caso do Supermercado Shimoda. “O cartão contribuiu para reduzir a inadimplência,”, comemora o proprietário do estabelecimento, Issao Shimoda. A falta de pagamento caiu de 3% para quase 1%.

No Rio de Janeiro, o dono da Bibi Sucos, rede de dez lojas, Sérgio Couto, usa desde 2006 o serviço de mobile payment da operadora Oi, o OiPaggo, que dispensa o dinheiro vivo ou o uso de cartão de crédito. Segundo ele, o uso do serviço ainda carece de uma adesão maior dos clientes, mas é prático e simples. “A transação é efetuada por meio de mensagem SMS”, explica. O pagamento vale até para o delivery.

O pagamento é feito entre o celular do cliente e o aparelho do estabelecimento, que possui um chip diferenciado. A cada venda, a Oi fica com 2,99% de comissão. Ainda não há programa de juros. Além disso, não é preciso pagar pelo aluguel de uma máquina nem pelo SMS das transações. Basta ser assinante da Oi, ter o chip Lojista e ser credenciado na Paggo.

O cliente paga R$ 2,50 por mês quando utiliza o serviço. O crédito é avaliado quando o usuário liga e faz o cadastro. A fatura é separada da conta do Oi. Mais de 1,3 milhão de clientes estão cadastrados no serviço, aceito em mais de 45 mil estabelecimentos em 14 Estados. São Paulo ainda não integra a lista.

Para ajudar empresários a reduzir os custos com cartões de crédito, o senador Adelmir Santana (DEM-DF) apresentou propostas para a regulamentação do setor. O Projeto de Lei 213/2007, já aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), propõe a fixação de preços diferenciados na venda de bens ou na prestação de serviços à vista, em dinheiro ou cheque, em relação ao valor pago via cartão de crédito.

“Nossa intenção é diminuir o custo final dos produtos e serviços ao consumidor, que hoje paga mais caro porque arca, sem saber, com as despesas do empresário junto às operadoras de cartões de crédito”, explica.

Já o Projeto de Lei 213/2007, que trata do compartilhamento das máquinas POS como forma de reduzir os custos dos comerciantes e lojistas, tem como principal justificativa as abusivas taxas, principalmente quando comparadas com outros países no mundo. “São 70% superiores às praticadas nos Estados Unidos e em alguns países europeus. Por que obrigar os empresários a locar máquinas diferentes?”, questiona. O projeto tramita no Senado.

As informações são do O Estado de S. Paulo/Sua Empresa



SÃO PAULO – Na intenção de fidelizar seus clientes, várias seguradoras estão trabalhando com cartões de crédito bandeirado, os chamados cartões híbridos. De forma geral, o cliente que possui tal cartão pode usufruir de diversas vantagens por meio do acúmulo de pontos.
A seguradora do Unibanco, Unibanco AIG, foi uma das primeiras a investir no mercado de cartões. De acordo com a assessoria de imprensa da entidade, o cartão de crédito Unibanco Aig está no mercado há mais de 15 anos e foi relançado em 2005.
A cada compra com o plástico, 2% do valor gasto são convertidos em pontos que serão acumulados pelo cliente e convertidos em descontos ou até levar à isenção de pagamento de prêmio em novos seguros da companhia.
Para ter acesso ao benefício, o segurado deve pagar o seguro com o cartão da seguradora e não precisa ser correntista do banco. Além disso, os clientes são isentos de anuidade e têm até 70 dias para pagar suas despesas em postos de gasolina sem custo adicional.
Outras empresas
A Porto Seguro foi outra companhia que investiu no cartão bandeirado. Em dezembro de 2007, a empresa lançou o Porto Seguro Visa, que oferece aos consumidores serviços exclusivos, por meio de uma Central de Conveniência, e resgate de pontos em diversos tipos de benefícios, como troca por milhas aéreas, produtos eletrônicos e descontos no seguro.
O cliente ganha pontos no cartão tanto via gastos quanto pelo tempo de relacionamento com a seguradora. O cartão é emitido e gerenciado pela própria financeira da Cooperação e tem por objetivo fidelizar e facilitar a vida dos clientes, conforme explica o diretor financeiro da Porto Seguro, Marcelo Picanço:
“O nosso objetivo é fidelizar o cliente e proporcionar novas oportunidades para que ele utilize nossos serviços e conheça ainda mais o nosso atendimento, visto que se trata de um cartão 100% Porto Seguro”, explica.
A Mapfre, grupo segurador espanhol, também possui um cartão de crédito com bandeiras Visa e Mastercard, que oferece a isenção permanente de anuidade para clientes classic e programa de pontos onde as compras se revertem em descontos no seguro.
Fonte: InfoMoney


A Câmara analisa o Projeto de Lei Complementar (PLP) 381/08, do Senado, que proíbe o saque em espécie com cartão de crédito corporativo da administração pública. Somente em casos excepcionais previamente definidos o saque será permitido, e o valor não poderá ser superior a 30% do limite do cartão. O projeto foi apresentado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Cartões Corporativos.

De acordo com a proposta, o cartão será usado exclusivamente pelo portador, para a contratação de bens e serviços enquadrados como suprimento de fundos. Apesar de o dirigente máximo do órgão ou entidade do setor público ser um dos responsáveis pela emissão dos cartões, a titularidade só poderá ser concedida a um servidor de cargo efetivo ou em comissão. Assim, o próprio dirigente máximo não poderá possuir um cartão corporativo.

Extratos na internet
O projeto determina que os extratos das despesas realizadas com os cartões sejam divulgados mensalmente pela internet. Entretanto, quando a despesa da Presidência da República exigir sigilo para segurança do Estado, a divulgação será feita em valores agregados até o término do mandado presidencial. Um ano depois, a despesa deverá ser divulgada.

Ainda de acordo com o projeto, os tribunais de Contas da União, dos estados e dos municípios terão que fiscalizar a emissão e o uso dos cartões.

Tramitação
O projeto tramita em regime de prioridade e será examinado pelo Plenário.

Íntegra da proposta:
– PLP-381/2008

Fonte: Agência Câmara

Mariana Sallowicz – Do Diário de São Paulo

SÃO PAULO – Os cerca de 6,5 milhões de brasileiros que moram de aluguel no país vão ganhar mais uma opção na hora de locar um imóvel. A Caixa Econômica Federal finalizou o projeto do Cartão Aluguel, que virá para substituir o fiador, cheque-caução ou seguro-fiança.

O locatário que optar por ele, receberá um cartão de crédito para pagar o aluguel todos os meses. Se atrasar, o banco acerta, mas depois cobra, com juros. O proprietário nem fica sabendo do problema.

– O produto está montado. Agora, esperamos a área de tecnologia de informação fazer algumas alterações no sistema para começar – afirma o vice-presidente de Governo da Caixa, Jorge Hereda.

Por conta desses ajustes, a data de lançamento não está totalmente fechada. A Caixa está substituindo a tecnologia dos cartões de crédito, que passarão a funcionar com chip eletrônico. Assim que finalizar a mudança, lançará o Cartão Aluguel.

Muitos inquilinos encontram dificuldade na hora de assinar o contrato por não terem um fiador. Uma outra opção, o seguro-fiança, também é inviável financeiramente para alguns, já que chega a custar uma vez e meia o valor do aluguel.

O locatário terá que desembolsar uma taxa de anuidade. Ele fará o acerto direto com o banco, que enviará uma fatura mensalmente, assim como ocorre com o cartão de crédito.

As taxas de juros, no caso de atraso, devem ser semelhantes às cobradas pelos cartões de crédito, de cerca de 10% ao mês. A instituição financeira vai analisar a capacidade de pagamento do locatário, antes de conceder o crédito.

Alan Amaral

O chamado “dinheiro de plástico” está cada vez mais familiar ao consumidor baiano. Na Bahia, os pagamentos efetuados com cartões de crédito alcançaram em julho a marca de R$1,23 bilhão _ movimentação 34,7% superior à verificada no mesmo período do ano passado (R$918 milhões) e a maior expansão entre todos os estados no país. A taxa local ficou também acima da média de crescimento do mercado nacional (23,5%) e no Nordeste (27,5%). O resultado, que integra uma pesquisa desenvolvida pela Itaucard, coloca o estado como líder na região e quarto no Brasil tanto em faturamento e em operações realizadas quanto no número de cartões emitidos.

O fluxo de transações, por exemplo, através desse meio eletrônico, cresceu 30,3% no estado, atingindo 17,5 milhões de operações durante o mês avaliado, com um valor médio de compra de R$70,50. O estudo revelou também que já existem 7,6 milhões de cartões em circulação no território baiano, quantidade 15,2% acima da registrada em julho de 2007 (6,6 milhões).

A preferência por esse instrumento já é comprovada pelos varejistas em Salvador. Segundo o presidente do Sindicato dos Lojistas da Bahia (Sindilojas), Paulo Motta, mais de 60% das vendas efetuadas no comércio da capital são realizadas por meio eletrônico. “O cartão continua sendo uma importante ferramenta para o varejista, mesmo com o alto custo presente na taxa de administração. É um instrumento que traz para o comerciante a segurança de que ele terá a liquidez daquela compra efetuada em sua loja. Além disso, está cada vez mais acessível ao consumidor ter um cartão de crédito, principalmente junto à população de baixa renda”, argumenta.

Quanto ao perfil do usuário brasileiro, segundo informações da Itaucard, as mulheres estão entre os grupos que mais planejam o consumo com o cartão, com 56% das suas compras pagas em parcelas sem juros, em tíquetes médios de R$213. Já quando o assunto é acesso ao crédito, os jovens de 18 a 29 anos se destacam, com 51,7% de compras parceladas e valor de R$199. Apesar de apresentarem tíquetes mais altos, em torno de R$272, os homens parcelam menos, com 46% de suas aquisições realizadas a prazo.

De acordo com o estudo, o volume de pagamentos através dessa ferramenta alcançou, no primeiro semestre do ano, o índice de 12,9% do consumo das famílias no país. Ainda conforme a pesquisa, nos últimos cinco anos, o setor observou um desenvolvimento contínuo, que alcançará 120% de crescimento ao final de 2008. Somente neste mês de julho, são mais de 101 milhões de cartões em circulação no país, responsáveis por 235 milhões de transações no período. Já em termos de faturamento, a indústria nacional chega a R$120,7 bilhões no acumulado do ano.

Fonte: Correio da Bahia

O Visa payWave, que permite efetuar pequenas transações apenas aproximando o cartão da leitora, pode chegar ao Brasil em breve. Sistema é parecido com o dos cartões eletrônicos de ônibus e metrô usados nas grandes capitais brasileiras.

A VISA pretende trazer a tecnologia ao Brasil, em conjunto com uma grande instituição financeira, divulgou o site BSA Brasil. Espera-se que o novo dinheiro de plástico diminua as filas para as pequenas compras, como bancas de jornal, cafés e etc, já que cada operação é concluída em meio segundo em média. Para garantir segurança, além da criptografia obrigatória, o crédito é limitado, podendo ser recarregado mediante utilização da senha normal, e válido apenas para pagamentos de baixo valor. Por aqui o crédito se limitará a R$100 e, por conter tanto a tarja magnética quanto o chip, poderá ser utilizado também como cartão convencional.

Segundo o periódico Sydney Morning Herald, o sistema deverá entrar em operação também na Austrália. Será oficialmente lançado no dia 26 de julho próximo no ANZ Stadium em Sydney e oferecido a 2000 membros de estádios. O cartão será usado no campeonato Bledisloe Cup, de rugby, que se inicia no mesmo dia do lançamento.

O sistema já está em testes há dois anos na Europa. Segundo matéria publicada em 2006 pelo site ComputerWeekly, uma pequena antena e um chip fazem a troca de informações com o terminal especialmente adaptado. De acordo com o site ZDNet UK outras instituições bancárias do Reino Unido também embarcaram na novidade. Em setembro de 2007 o banco Barclays apresentou um cartão que permite pagar os famosos táxis londrinos sem tirar dinheiro da carteira. Sandra Alzetta, vice-presidente da Visa Europe para o mercado de massa, disse em entrevista ao site Silicon.com que a empresa pretende tornar os jogos olímpicos de 2012, que acontecerão em Londres, um evento livre de notas ou moedas.

A administradora não informa a tecnologia wireless utilizada.

Fonte: Geek

Max Alberto Gonzales, da INFO

Cristiane Bomfim
Do Diário do Grande ABC

“Você tem o cartão da loja?” Essa é a pergunta que o motorista José Geraldo dos Santos, 40 anos, ouve toda vez que vai pagar pela compra de um produto. Considerados ferramenta de fidelização de clientes, os cartões próprios estão presentes em quase todos os setores de venda varejista, como hipermercados, lojas de departamento, material para construção e farmácias. “Todo mundo tem na carteira um, dois ou três cartões de loja. É facilidade para a gente”, avalia o motorista.

Comum entre os brasileiros, em 2007, os cartões próprios das lojas – também chamados de private labels – movimentaram R$ 44 bilhões em todo o País. Foram 800 milhões de transações realizadas por 144 milhões de plásticos, quase um por habitante. O último levantamento da Abecs (Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) mostra que entre janeiro e abril deste ano, foram emitidos 8 milhões de unidades, totalizando 152 milhões de cartões com a marca de lojas.

O sucesso do cartão está nas facilidades oferecidas no momento da compra, como a pré-aprovação de crédito e a possibilidade de ter até 40 dias para o pagamento à vista e sem juros. A possibilidade de parcelar em maior número de vezes do que com o cartão de crédito ou cheque também estimula o consumo. “Sempre que compro um eletroeletrônico uso o cartão da loja, porque posso pagar em mais vezes sem juros”, comenta a aposentada Vilma Ribeiro, de 58 anos.

De olho neste nicho de mercado, a Coop lançou o cartão próprio em julho de 2006. Hoje, a empresa acumula 250 mil cartões em sua base de clientes. A gestora de cartões da Coop, Maria de Lourdes Basso Moreno, afirma que a medida também reduziu o número de operações com cheques, que, até então, representavam 40% dos pagamentos.

Em dois anos, os cartões já respondem por 14% de participação nas vendas e a utilização do cheque caiu para 25%. “Nossa meta é que as compras com nosso private label representem 20% das transações até o fim do ano”.

Na avaliação da gestora, a preferência por este meio de pagamento é resultado da conveniência do parcelamento. O hipermercado Carrefour dispõe de cartões próprios desde 1989 e já acumula 8,5 milhões de cartões emitidos. A meta é atingir a marca de 10 milhões em 2009.

Para administrar esse segmento, o grupo, um dos pioneiros na oferta do serviço, criou uma operadora própria. A missão da administradora é definir condições, prazos e demais serviços que serão oferecidos com os cartões.

Segundo o Carrefour, o mercado de private label tem como diferencial a possibilidade de atingir todas as classes sociais.

A perspectiva de fidelização também atraiu outros ramos do comércio varejistas. Entre eles, as lojas de material de construção como a Dicico. A empresa já emitiu mais de 150 mil cartões com a sua marca desde o lançamento do serviço há dois anos. Uma das vantagens oferecidas aos clientes é o parcelamento das compras em até 11 vezes sem juros.

Juros elevados – As muitas facilidades dos cartões, no entanto, muitas vezes escondem juros acima da média de mercado (veja o quadro com os juros cobrados pelas lojas).

Pesquisa mensal de juros da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) apurou que a taxa média de juros para pessoas físicas, em maio, ficou em 7,73% ao mês no cheque especial, 10,39% ao mês no cartão de crédito dos bancos e em 11,20% ao mês nos parcelamentos por financeiras.

São Paulo – A MasterCard Worldwide acaba de divulgar os resultados do estudo “Mercado de Crédito Popular nas Sete Principais Cidades da América Latina”, realizado em conjunto com a Universidade de Loughborough, do Reino Unido, que analisa o acesso ao crédito e os hábitos de consumo do segmento de baixa renda em Bogotá, Buenos Aires, Caracas, Cidade do México, São Paulo, Rio de Janeiro e Santiago.

A pesquisa foi conduzida pelos acadêmicos Peter Taylor, Ed Brown e Jon Cloke e teve como principais objetivos avaliar o crescimento da taxa de urbanização nessas cidades e sua correlação com aumento da população de baixa renda e o avanço dos serviços financeiros focados nesse público. Além de estimar o poder de compra deste segmento e as mudanças em seus hábitos de consumo.

“Vivemos um momento histórico interessante na América Latina. A maior estabilidade econômica e política que essa região vem experimentando aumentou o poder de compra das classes D e E, colocando-as em uma posição de destaque na economia desses países”, afirma Jon Cloke.

Uma das principais conclusões do estudo patrocinado pela MasterCard é que o acesso do segmento de baixa renda ao crédito e a outros tipos de serviços financeiros é vital, não apenas como facilitador da compra de bens de consumo, mas principalmente para a viabilidade econômica dessas regiões.

“Com este estudo, temos uma visão mais clara de como o acesso ao crédito no segmento de baixa renda é fundamental para incentivar o crescimento da economia nos países em desenvolvimento, seja por meio do crédito pessoal ou do crédito corporativo, este úlitmo focado principalmente nas pequenas e médias empresas”, afirma Max Chion, vice-presidente sênior de Produtos da MasterCard para a América Latina e Caribe.

“Com os dados que levantamos nesse estudo, entendemos que a melhoria do acesso da baixa renda aos serviços financeiros é indispensável para reduzir a pobreza nestas localidades”, explica Cloke.

O contraste entre as várias cidades também é retratado pelo estudo. Um exemplo disso são os baixos níveis de bancarização em capitais como a Cidade do México, onde apenas 50% da população tem acesso a serviços financeiros básicos e, em 74% das cidades onde está concentrada 22% da população, não existem agências bancárias.

Já no Brasil, a realidade é bem diferente: por aqui, o que se vê é um crescimento contínuo da oferta de cartões de crédito, que passaram de 35 milhões em 2001 para 93 milhões em 2007, um aumento de 165%. “Este crescimento se deve à estabilidade econômica que o país vive desde a década de 90, com a chegada do Real e o controle da inflação”, explica Jon Cloke.

Os principais destaques da pesquisa em cada uma das cidades estudadas.: Rio de Janeiro: 1,7 mil pessoas no Rio são empregadas por 870 mil micro e pequenas empresas. | . Entre o lançamento do Plano Real, em 1994, até 2002, houve um rápido crescimento do poder de compra da população de baixa renda. A partir de 2007, porém, despesas domésticas e com alimentos ainda representavam 32% da média dos gastos no Rio | . O Brasil experimentou um aumento maciço na disponibilidade de cartões de crédito nos últimos anos, aumentando de 35,4 milhões em 2001 (1 cartão para cada 4,9 habitantes), para 93 milhões em 2007 (1 cartão para cada 2 habitantes), um aumento de 165%. | . No Rio de Janeiro, 45% das micro, pequenas e médias empresas não têm conta corrente, e 21% não fazem qualquer transação financeira utilizando o sistema bancário formal. | . O número de pessoas que vivem nos morros do Rio de Janeiro está crescendo a uma taxa anual de cerca de 7,5%, em contrapartida ao crescimento da população urbana da cidade, que apresenta uma taxa de crescimento de apenas 2,5% ao ano.

São Paulo.: São Paulo está passando por uma migração da população das áreas centrais para a periferia. Desde 1990, o número de pessoas que vivem na periferia aumentou de 19% para 30% em 2000 | . A partir de 2007, despesas domésticas e com alimentos continuam a representar 30% da média de gastos domésticos em São Paulo | . 3,4 mil pessoas estão empregadas por mais de 2,6 milhões micro e pequenas empresas | . O acesso ao micro-crédito vem crescendo, apesar de ainda ser baixo. Em 2007, apenas 6% dos pequenos e médios negócios usaram o micro-financiamentos. Além disso, 49% deste tipo de empresas não têm conta-corrente e 11% não fazem transações financeiras usando as vias formais.

Bogotá.: Em 2020, Bogotá será a 26ª cidade mais populosa do mundo | . Após o Chile e o Brasil, a Colômbia é o país que concede mais crédito ao setor privado na América Latina | . Em termos de utilização dos serviços bancários, só 29,2% da população colombiana tem acesso a pelo menos um produto financeiro (conta corrente, conta poupança, cartão de crédito ou débito etc.) | . O uso de serviços bancários foi incrementado nos últimos anos, devido a um aumento da confiança dos consumidores do país em seu sistema bancário | . A utilização de cartões de crédito também cresceu, especialmente no segmento baixa renda.

Buenos Aires.: Depois do Serviço Público, as pequenas e médias empresas e aquelas do segmento informal são as principais fontes de emprego na Argentina | . A penetração de micro-créditos na Argentina é muito baixa | . Apesar de ser um país com uma elevada carga fiscal, como o Chile e o Brasil, a Argentina sofreu uma redução no uso de serviços bancários, alcançando níveis comparáveis aos de países economicamente subdesenvolvidos | . A economia informal é vital para a sobrevivência do segmento de baixa renda da população na Argentina | . A maioria dos segmentos mais baixos da população não têm acesso a serviços financeiros.

Caracas.: A Venezuela possui um dos mais altos níveis de urbanização do mundo, com 90% da população vivendo em zonas urbanas ou áreas metropolitanas | . Devido às riquezas geradas pelo petróleo e à liderança de Caracas entre as cidades da Venezuela, os empregos para a população são distribuídos de maneira desigual com um setor de serviços financeiros crescente e moderno de um lado e a rápida expansão do setor informal com salários baixos do outro | . A população da grande Caracas está entre as mais pobres em comparação com as demais cidades do estudo: 87% da população têm condições de custear somente a cesta básica alimentar | . Em geral, o uso de cartões de crédito é muito baixo. Além da falta de produtos financeiros adequados para atender a demanda da população, o país também não tem sistema de liquidação interbancária em nível nacional.

Cidade do México.: O estudo prevê que a Cidade do México perderá a 2ª posição no ranking mundial de cidade mais populosa do mundo em 2020, tornando-se a 5ª mais populosa. Além disso, o México está experimentando um crescimento nas populações que vivem em zonas periféricas e rurais | . Em 2003, 75% da população do México com mais de 18 anos de idade não tinha acesso a serviços financeiros básicos. Em 2005, este percentual caiu para 50% | . Em 74% das cidades mexicanas, onde estão concentradas 22% da população total do país, não existem agências bancárias | . Estimativas de 2002 revelam que apenas 48% da população tinha utilizado um serviço financeiro e apenas 15,2% tinha uma conta corrente | . O mercado de baixa renda mexicano é composto atualmente entre 12 e 40 milhões de pessoas, dependendo de como são classificadas as classes D e E.

Santiago.: O nível de negócios de crédito no Chile é o maior da América Latina (em comparação com o PIB do país), alcançando números nos mesmos níveis de países desenvolvidos. Na última década, o acesso ao crédito por micro, pequenas e médias empresas teve um forte crescimento | .O mercado de baixa renda deverá crescer a uma taxa anual de 1% até 2020. A utilização do crédito por este segmento no Chile é semelhante à Europa e aos Estados Unidos, sendo mais diversificada do que apenas como ferramenta de compra | . Cartões de crédito e de débito são utilizados por todos os segmentos populacionais no Chile. No entanto, os cartões de crédito estão concentrados no segmento de alta renda. Em 2005, o número de cartões de crédito e débito totalizaram 3,8 milhões e 5,6 milhões respectivamente. O número de cartões de varejo (marca própria) ultrapassou os cartões de crédito, incluindo número de transações e valor total negociado. O segmento de varejo representa 15% do mercado de crédito.

Os pesquisadores: Professor Peter Taylor, expert em cidades globais | Dr. Ed Brown, expert em América Latina | Dr. Jon Cloke; possui doutorado focado em micro-crédito.

O time de pesquisadores lidera a Rede de Pesquisas sobre Globalização e Cidades Mundiais (Globalization and World Cities Research Network, GaWC), que é baseada no Departamento de Geografia da Universidade de Loughborough, no Reino Unido. Os pesquisadores também são membros do Painel MasterCard do Conhecimento, que reúne especialistas em economia, desenvolvimento urbano e ciências sociais ao redor do mundo.

Perfil da MasterCard Worldwide – A MasterCard Worldwide promove o comércio global ao fornecer um elo econômico essencial entre instituições financeiras, empresas, portadores de cartões e comerciantes em todo o mundo. No papel de franqueadora, processadora e consultora, a MasterCard desenvolve e comercializa soluções de pagamento, processando mais de 18 bilhões de pagamentos a cada ano, e tomando a vanguarda na indústria de serviços de análise e consultoria para comerciantes e instituições financeiras.A MasterCard atende consumidores e empresas em mais de 210 países e territórios através de sua família de marcas, incluindo MasterCard®, Maestro® e Cirrus®. || www.mastercard.com.

Fonte: Portal Fator Brasil