O que está por trás da tecnologia do pagamento sem contato

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Hoje em dia sair de casa sem carteira é algo cada vez mais comum, seja pelo intensivo uso de smartphones, ou até mesmo por conta do recente pagamento por reconhecimento facial. Essas soluções estão reduzindo o risco de exposição aos vírus e bactérias, fazendo com que a interação do usuário seja cada vez mais touchless.

Com o distanciamento social sendo estimulado ao redor do mundo, os pagamentos digitais têm tido a chance de demonstrar seu valor aos consumidores que ainda não decidiram se querem confiar suas finanças a um aplicativo. Por mais que a chance de fraude seja quase inexistente em sua maioria, é comum vermos pessoas que se sintam desconfiadas e inseguras com tecnologias relacionadas a pagamentos.

Segundo balanço da ABECS, entidade que representa as empresas de meios eletrônicos de pagamento, os cartões de crédito e débito movimentaram em 2019 R$ 1,84 trilhão. Enquanto as compras não presenciais representaram apenas 30% desse total — ou seja, 70% dos pagamentos foram feitos com alguém teclando em alguma maquininha.

O pagamento sem contato é uma funcionalidade interessante e prática, principalmente no que tange a democratização dos aparelhos digitais. De acordo com um levantamento da Fundação Getúlio Vargas feito em abril do ano passado, o Brasil tem 230 milhões de smartphones ativos — o que mostra que a tecnologia tem o potencial de atingir várias camadas da população e ser amplamente acessada.

Agora, apesar de termos a percepção de que o pagamento touchless é uma novidade, a opção já estavam em evidência muito antes da Covid-19. A Apple foi o primeiro fabricante a implementar a modalidade nos celulares, lançando sua carteira digital já em 2014. O método de pagamento por aproximação da gigante americana usa a tecnologia NFC (em inglês “Near Field Communication”, traduzido para Comunicação de Campo Próximo) presente em smartphones para funcionar. Após cadastrar o cartão no aplicativo, já é possível realizar os pagamentos sem o cartão físico, apenas desbloqueando o telefone.

O funcionamento é o mesmo no Google Pay, utilizado em Androids: cadastre o cartão, ative e comece a usar. Já o Samsung Pay tem duas formas de pagamento por aproximação: uma que funciona com base em NFC, e outra por meio de MST (em inglês “Magnetic Secure Transmission”, traduzido para Transmissão Magnética Segura), que é mais abrangente, pois não requer que o terminal também esteja habilitado com a tecnologia. Diferente do primeiro, que permite a troca de informações entre os dispositivos que estejam perto um do outro, desde que ambos tenham a tecnologia integrada, esse método alternativo simula a tarja de um cartão magnético, fazendo a máquina entender que um cartão de crédito foi passado ali.

Mais uma empresa que já percebeu o potencial dessa tecnologia e vem a implementando em suas lojas físicas foi a Amazon. Hoje, com mais de 24 lojas abertas ao redor dos Estados Unidos, a Amazon Go, lançada há dois anos pela empresa como sua primeira loja de conveniência automatizada (sem caixas e filas), permite que os clientes acessem o estabelecimento, peguem os produtos e finalizem suas compras sem precisar parar para pagar na saída. O uso de sua tecnologia própria “Just Walk Out” (em tradução, “apenas saia”) trabalha com visão computacional, fusão de sensores e machine learning avançado para permitir uma experiência de pagamento sem atritos.

Outra maneira de conseguir pagar sem gerar contato físico é com a leitura de QR codes — que consiste em usar a câmera do celular para escanear o código de um estabelecimento e assim pagar sem encostar na máquina ou entregar seu cartão para algum atendente — ou por meio de reconhecimento facial, uma tecnologia recente no setor financeiro do Brasil, que associa o rosto de cada usuário com os mais diferentes meios de pagamento possíveis. Sem precisar mostrar o cartão ou qualquer documento, o consumidor passa a fazer suas compras usando apenas o rosto.

Recentemente, o Banco Central lançou o PIX, meio de pagamento instantâneo que permite que transferências de dinheiro entre contas correntes sejam no mesmo segundo. A proposta é que o pagamento instantâneo funcione para as transações financeiras com a mesma simplicidade que é enviar uma mensagem de texto, por exemplo. A transação na plataforma do PIX poderá ser feita por quaisquer dos meios mencionados no texto.

É possível observar, então, que o pagamento sem contato oferece aos consumidores uma forma de pagar mais segura e rápida, assim como mais controle sobre sua proximidade com outros clientes. Porém, a tecnologia touchless para o setor financeiro é uma alternativa que ainda está em fase de disseminação, especialmente no Brasil. Ao contrário da China, onde cerca de 60% dos pagamentos não são feitos com dinheiro vivo, mas através de aplicativos, como o WeChat e a plataforma de pagamentos móveis Alipay, o nosso país tem menos de 17% dos brasileiros com smartphone afirmando que já experimentaram o recurso.

Hoje, com uma maior preocupação ao redor do contato físico em razão do coronavírus, a adoção de novas formas de pagamentos tende a acelerar ainda mais, já que o distanciamento social não impacta somente as interações das pessoas entre si, mas também inclui o contato com aparelhos compartilhados em público, como pontos de venda e balcões de checkout. Nesse contexto, o simples ato de pagar uma compra no cartão de crédito irá evoluir muito antes do que imaginávamos.

*Eládio Isoppo é CEO da Payface

Fonte: Estadão

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