Itaú planeja que ‘iti’ evolua para uma conta completa

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Lançado pelo Itaú Unibanco como um aplicativo de pagamentos, o “iti” vai evoluir para uma conta completa voltada a um público não alcançado pelo banco tradicional. No passo mais recente, o serviço passou a acoplar cartões de crédito à oferta.

O cartão é o primeiro de uma série de linhas de crédito que devem entrar no cardápio do iti. Outros produtos do banco também poderão ser oferecidos.

“Começou numa lógica de pagamento. Com o tempo, fomos nos aproximando de uma conta ‘full’ [completa] digital, que é o que a gente é”, afirma João Filipe Araújo, diretor do iti. “A intenção é ir completando a prateleira.”

O Itaú apresentou o iti em maio de 2019, mas o lançamento propriamente se deu cinco meses mais tarde, sem muito alarde. Agora, com um ano de mercado, o serviço acumula em torno de 3 milhões de contas abertas, de acordo com o executivo.

A sobreposição com a clientela do Itaú é “muito baixa”, afirma Araújo, o que na prática tem permitido ao banco ampliar sua base para segmentos até então pouco explorados por ele. São, em geral, usuários mais jovens e de renda mais baixa. Muitos têm conta bancária, mas na prática, pouco acesso a produtos e serviços financeiros.

O Itaú nunca lançou um banco digital e, em vez disso, optou por digitalizar suas operações tradicionais. No entanto, o iti acabou aproximando a instituição financeira de um público que até então pouco atendia.

Não é o único caso. Os grandes bancos têm enveredado pelo caminho das carteiras virtuais para chegar a esses clientes, que passam a ser rentáveis numa operação digital, sem custos associados à rede física. O Santander tem a Superdigital, conta de pagamentos que pretende transformar em uma operação latino-americana. O Bradesco lançou em setembro a Bitz, carteira virtual à qual pretende acoplar uma série de produtos do grupo, além de ter o banco digital Next.

Nos bancos públicos, as operações foram impulsionadas pela pandemia. Criado para o pagamento do auxílio emergencial, o aplicativo Caixa Tem colocou mais de 100 milhões de contas nas mãos da Caixa, que agora tenta transformá-lo num banco digital completo. O Banco do Brasil também tem a carteira BB, impulsionada pelo pagamento de benefícios emergenciais.

Dentre as carteiras digitais “puro-sangue”, nenhuma chega perto da dimensão do PicPay. Controlada pelo Banco Original, contabilizava 32 milhões de usuários no fim de setembro (metade deles, clientes ativos) e começa a oferecer crédito pessoal.

O iti foi lançado com poucas funcionalidades, mas tinha como trunfo já nascer aceito em todas as maquininhas da Rede, a credenciadora de cartões do Itaú. Posteriormente, o banco fez acordos com Cielo e Getnet para ampliar o alcance, mas a chegada do Pix, no mês passado, torna o serviço interoperável com qualquer outro.

Araújo, que assumiu a direção do iti em abril, afirma que a conta vem sendo construída aos poucos, com base na demanda dos clientes. A oferta de cartões de crédito era uma delas. Boa parte dos usuários não tinha um cartão para usar no e-commerce. De acordo com o executivo, outros produtos, próprios ou do Itaú, serão incorporados ao longo do tempo. Uma conta específica para pequenos empreendedores também está em estudo, embora a leitura do banco seja a de que o serviço atenda as necessidades de boa parte desse público.

Fonte: Valor

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